O que é Spaghetti Western?

Spaghetti western, faroeste espaguete ou faroeste italiano. Muito popular nos anos 60 e 70, o termo denomina um sub-gênero dos filmes de faroeste americano. Ele tem esse nome devido ao fato de que a maioria dos filmes foram dirigidos e produzidos por italianos, por vezes em colaboração com outros países europeus, como Espanha e Alemanha. O termo "spaghetti western" originalmente era considerado depreciativo, pois alguns críticos pensavam que as obras eram inferiores aos westerns americanos.

Spaghetti Western x American Western

Confira algumas características que podem ser consideradas para distinguir os spaghettis dos faroestes americanos:

1. O nível de violência é normalmente muito maior nos italianos;

2. Os efeitos sonoros, como sons de arma e cavalos são diferentes;

3. Utilização de imagens e símbolos religiosos (católicos)

Contexto histórico e características

Yojimbo (1961), filme de Kurosawa que inspirou Sergio Leone a reinventar o western na Itália
A Itália estava no lado perdedor da Segunda Guerra Mundial, e os filmes spaghetti refletiram muito os sentimentos do povo em relação a esse resultado e a sociedade pós-guerra. Muitas das obras utilizaram a Guerra Civil Americana como pano de fundo, sendo a "substituta" para a Segunda Grande Guerra. O Risorgimento, movimento para a unificação do país no século XIX, também foi um evento histórico importante que influenciou os filmes do gênero.

Inspirado por "Yojimbo" (1961) - um filme de samurais japonês -, de Akira Kurosawa, o diretor Sergio Leone reinventou o western na Itália com um filme de baixo orçamento: "Por um Punhado de Dólares" (1964). Embora não fosse o primeiro western italiano, a abordagem de Leone foi única. O filme logo se tornou um tremendo sucesso na Itália e fez do ator Clint Eastwood uma estrela. 

Assim nasceu o "spaghetti western", com protagonistas cínicos, verdadeiros anti-heróis, e seus nomes um tanto quanto "estranhos", como Ringo, Sartana, Sabata, Johnny Oro, Arizona Colt ou Django.
Clint Eastwood consagrou sua carreira em "Por um Punhado de Dólares" (1964), de Sergio Leone
Outros elementos de destaque são os tiroteios e a morte de vários personagens, por autoria do herói que faz justiça pelas próprias mãos. A presença constante do duelo, frequentemente no clímax do filme, é também outra marca registrada dos spaghetti.

Em geral os spaghetti westerns são mais voltados para a ação do que os faroestes americanos. Os diálogos são poucos e a música funciona como um elemento da narrativa. Durante anos, eles foram chamados por críticos de "horse opera".

Sergio Leone e Ennio Morricone

O confronto épico em "Três Homens em Conflito" 
A conhecida Trilogia dos Dólares redefiniu o gênero na Itália. “Por um Punhado de Dólares” (1964), “Por uns Dólares a mais” (1965) e “Três Homens em Conflito” (1966), mostram um velho oeste nunca visto até então. Mais real e detalhado, a Trilogia dos Dólares é um retrato da violência e ganância de um dos tempos e lugares mais selvagens da história. 

Grande parte da emoção provocada nos filmes de western spaghetti se deve às trilhas sonoras compostas pelo italiano Ennio Morricone, que estão entre as mais belas da história do cinema. É gigantesca a importância do compositor para a construção do gênero spaghetti. Todos os três filmes da trilogia tiveram composições de Morricone, e a sua música era tão pouco comum quanto as imagens de Leone: ele utilizava instrumentos como trompete, harpa e guitarra; também adicionava assobios, chicotes e tiros. 
O diretor italiano Sergio Leone ao lado do compositor Ennio Morricone, com quem fez grandes parcerias
Morricone ainda compôs mais de 30 trilhas sonoras para faroestes italianos e seu trabalho foi significativo para ajudar a trazer reconhecimento ao gênero. Em 2007, o compositor recebeu um Oscar Honorário, pela "sua magnífica e multifacetada contribuição à arte da música para filmes”.

Outros diretores e filmes consagrados

Mais um marco do spaghetti foi o pioneiro “Django” (1966) de Sergio Corbucci - muitas vezes chamado de "o outro Sergio" -, que gerou diversos filmes com "Django" no título. Em 1968, mais duas obras-primas do gênero nasceram: o lendário “Era uma vez no Oeste”, de Sergio Leone, o primeiro a atrair a atenção dos chamados críticos “sérios”; e “O Vingador Silencioso” de Corbucci, totalmente filmado na neve, e que rompeu praticamente todas as convenções do gênero, entre eles o clichê do mocinho sempre vencendo no final.
O ator americano Lee Van Cleef em "O Dia da Desforra", conhecido principalmente por seus papeis de vilão em westerns
Outro cineasta da era de ouro dos faroestes italianos foi Sergio Sollima - o terceiro Sergio! -, o mais político de todos que trabalharam com o estilo. Sua obra “O Dia da Desforra” (1966), é uma história sobre a luta de classes.

Além destes, outros diretores se destacaram, entre eles: Tonino Valerii, Florestano Vancini, Duccio Tessari e Lucio Fulci. A maioria dos filmes spaghetti foram feitos com orçamentos baixos, mas mesmo assim, muitos foram inovadores. Embora na época não tenham obtido muito reconhecimento, mesmo na Europa, na década de 80, sua reputação cresceu e hoje o termo já é considerado um gênero aclamado do cinema. 

Diretores da atualidade

Uma nova geração de cineastas, como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez têm redescoberto o gênero, introduzindo elementos do spaghetti em seus próprios estilos. Temas de Ennio Morricone para a Trilogia dos Dólares estão presentes em “Kill Bill: Volume 2” (2004), de Tarantino, e “Django Livre” (2012) é uma clara homenagem à obra de Corbucci.

Quer conhecer mais filmes do gênero? Confira aqui uma lista com os melhores filmes spaghetti western segundo o diretor Quentin Tarantino!
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