[Download] Checklist dos Indicados ao Oscar 2020 - Baixe e imprima

Chegou mais uma temporada de premiações do Cinema e a cerimônia mais aguardada de Hollywood já está batendo na porta. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou, nesta segunda-feira (13), os indicados de sua 92ª edição (confira eles aqui), que acontece no dia 09 de fevereiro.

Para facilitar a vida dos cinéfilos maratonistas que pretendem assistir ao máximo de filmes possíveis até o dia da cerimônia, organizamos um Checklist com todos os longa-metragens indicados. Ideal para impressão, o arquivo já está adaptado para as dimensões de uma folha A4. Além de marcar os filmes vistos, você também pode aproveitar para fazer suas apostas dos vencedores e conferir quantos consegue acertar.

Se você prefere a versão digital, em Planilha de Excel, também preparamos uma exclusiva. É só acessar aqui:

Para baixar a arte, é só clicar na imagem abaixo.
Para a versão em PDFclique aqui.



Festival Primeiro Plano chega a sua 18ª edição


O Festival de Cinema mais aguardado de Juiz de Fora e região chegou! Em sua 18ª edição, o Primeiro Plano 2019 acontecerá entre os dias 02 e 07 de dezembro, com abertura no Teatro Paschoal Carlos Magno Juiz e os demais dias da programação no Cinemais do Shopping Alameda.

Além da exibição de dezenas de curtas nas mostras competitivas Regional e Mercocidades, o Festival ainda oferece oficinas e organiza debates com os realizadores. Toda programação é gratuita - é só retirar o ingresso na bilheteria.

Incentivando e dando visibilidade a diretores estreantes da Zona da Mata mineira e de toda a América do Sul, o Primeiro Plano realiza um importante trabalho de fomento cultural, fortalecendo produções cinematográficas e aproximando-as do público.


A sessão de abertura acontece às 20h e traz o curta "Cinesia", de Pedro Soares - produção apoiada pelo prêmio Incentivo Primeiro Plano da edição 2018, e o premiado longa "Pacarrete", de Allan Deberton.

Para conferir a programação completa, é só acessar aqui.

O Primeiro Plano - Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades é uma realização do “Luzes da Cidade – Grupo de Cinéfilos e de Produtores Culturais”.


A Vida Invisível (2019) - Melodrama à brasileira


O diretor, roteirista e artista visual cearense Karim Aïnouz é um dos cineastas mais prolíficos do cinema brasileiro atual, reconhecido e premiado internacionalmente por filmes como Madame Satã (2002), O Céu de Suely (2006) e Praia do Futuro (2014). Seu novo filme, A Vida Invisível (2019) é uma adaptação do romance ''A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", escrito por Martha Batalha. O filme ganhou o prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes de 2019, e foi o escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar.

No Rio de Janeiro da década de 1940,  Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Julia Stockler) vivem sob um rígido regime patriarcal que as coloca em caminhos distintos: Guida decide fugir de casa com o namorado, enquanto Eurídice se esforça para se tornar uma musicista, ao mesmo tempo em que precisa lidar com as responsabilidades da vida adulta e um casamento sem amor com Antenor (Gregório Duvivier).

Após um prólogo com ares oníricos, que funciona como um presságio e sutilmente sintetiza o que sucederá os créditos iniciais, A Vida Invisível rapidamente se reconfigura em torno de uma de suas características mais evidentes - o seu formato de melodrama. É interessante observar a disposição do filme ao risco de se inserir tão intensamente dentro das "regras" de um gênero cujos elementos narrativos e estéticos são tão identificáveis. O que poderia resultar em um filme absolutamente previsível oportuniza que Karim Aïnouz conjure um "melodrama perfeito", ao mesmo tempo em que revisita e diversos elementos que compõem a sua assinatura autoral, como seu interesse por personagens complexos e angustiados, diálogos crus e uma paleta de cores saturada e com alto contraste.

O filme cria uma relação muito interessante com seus espectadores ao direcionar um olhar contemporâneo para o passado sem descaracterizá-lo ou reinterpretá-lo, mas construindo um recorte discursivo guiado por sensibilidades e interesses presentes no imaginário atual, como a representação da mulher e uma visão crítica do machismo. Não restrito apenas à questões de costumes, o interesse pela reconstituição de época é palpável e reminiscente da abordagem estética utilizada em Madame Satã e aqui construída a partir do trabalho sensível e sofisticado da direção de fotografia de Hélène Louvart e da direção de arte e design de produção de Rodrigo Martirena, bastante interessados em dar textura às vivências e ambientes por onde se desencontram as irmãs.

Essenciais para dar forma e potência às histórias invisíveis da dupla de protagonistas, as atrizes Carol Duarte e Julia Stockler adotam em suas interpretações um tom impecável, em perfeita sintonia tanto com a proposta do gênero quanto com o estilo da direção; criando personagens opostos e complementares cuja sintonia se percebe mesmo após serem separadas pela trama. Grandiosa, a presença de Fernanda Montenegro é exemplar em relação à excelência e o equilíbrio da obra, que consegue evitar as armadilhas do sentimentalismo exagerado sem perder sua potência emocional.

A Vida Invisível é um caso raro de filme que consegue dois grandes feitos - se apresentar como uma síntese inequívoca da estética e estilo do seu diretor, ao mesmo tempo em que  compreende e explora o gênero muito particular no qual se insere de maneira absolutamente precisa. O resultado inevitavelmente eleva o filme ao patamar de obras que se cristalizam como referenciais de qualidade que transcende as especificidades de um "cinema nacional" para se afirmar como uma obra de relevância e alcance universal.

Coringa (2019) - A Vilania Multifacetada


A origem do Coringa, o vilão mais famoso do universo dos quadrinhos, sempre esteve intimamente ligada ao cinema. O personagem, criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane, estreou em Batman #1 (1940), com um visual inspirado no ator Conrad Veidt, intérprete de Gwynplaine no filme O Homem que Ri (1928), dirigido pelo cineasta expressionista Paul Leni.

Tal como Gwynplaine era atormentado por sua expressão desfigurada por um sorriso permanente, o palhaço/aspirante a comediante Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) é atormentado por uma condição que faz com que ele ria descontroladamente. É a primeira de muitas apropriações - ou referências - utilizadas pelo diretor Todd Phillips - mais conhecido pela trilogia de comédia “Se Beber Não Case” - para construir uma história de origem para um personagem marcado pelo mistério em torno de si.

O grande risco assumido por Coringa (2019) é o de contextualizar as motivações da vilania do personagem - algo habilmente evitado em O Cavaleiro das Trevas (2008) e ignorado em Esquadrão Suicida (2016) - , especialmente sem contar com o contraponto filosófico do seu arqui-inimigo, o Batman. O esforço em criar uma interpretação do personagem bastante distinta das que a precederam é louvável, e seus acertos derivam da magistral atuação de Joaquin Phoenix, em uma das melhores interpretações de sua versátil carreira, que conta com obras-primas como O Mestre (2012) e Ela (2013). O seu Coringa é multifacetado e dispõe de uma fisicalidade intensa, de ares kafkianos, e se desenvolve por caminhos pouco explorados pelas versões anteriores que não tinham um filme inteiro dedicado a si, criando um personagem complexo que constantemente flerta com a empatia do público enquanto sucumbe gradualmente à crueldade e a violência.

O magnetismo e a intensidade da interpretação de Phoenix e o foco no seu personagem ao longo do filme são tão grandes que podem ser capazes de distrair a atenção do público para os demais elementos da produção. O próprio diretor Todd Phillips parece ser vítima deste encanto em determinados momentos, falhando em aprofundar as reflexões que propõe dentro da trama relativamente simples que constrói, especialmente no âmbito da discussão sobre saúde mental e vulnerabilidade social. Ainda que seja reverente à elementos narrativos de histórias clássicas dos quadrinhos, como A Piada Mortal (Alan Moore, 1988), um ponto problemático do filme é a frequência e a obviedade das referências cinematográficas que utiliza, ganhando um caráter pouco original e expondo as fraquezas da visão de Phillips, bastante dependente da absorção de obras melhores. Sua Gotham, por exemplo, é reminiscente da Nova York de Martin Scorsese, do qual se apropria também de uma série de elementos narrativos presentes em filmes como Taxi Driver (1976) e O Rei da Comédia (1982).

Também sinais da insegurança ou falta de tato de Phillips com o filme são a onipresença da trilha reforçando o “clima” de praticamente todas as cenas com maior carga dramática e a insistência do seu roteiro (co-escrito com Scott Silver) em determinadas situações que “explicam” demais a origem de certos elementos que compõem a vilania do seu protagonista, esvaziando uma potencial ambiguidade apresentada em diversos momentos do filme, especialmente no que tange suas relação com sua mãe, Penny Fleck (Frances Conroy) e Thomas Wayne (Brett Cullen).

Apesar de suas deficiências, Coringa é um filme que suscita emoções fortes e demonstra uma percepção certeira do porquê um personagem como este é capaz de ser tão sedutor e influente, criando uma narrativa em torno desta visão, que apesar de datada por sua ambientação oitentista, dialoga com tensões e problemáticas bastante contemporâneas. Apresentando uma interessante, mas irregular reinvenção da mitologia clássica do vilão, o filme propõe uma abordagem inegavelmente diferenciada dentro do nicho de adaptações de histórias em quadrinhos, que respeita o legado do personagem e  o direciona por caminhos surpreendentes que podem causar grande impacto nos projetos vindouros da Warner/DC nos cinemas.


Midsommar - O Mal Não Espera a Noite (2019)

O horror vive uma de suas melhores épocas no cinema, graças à produções que fogem de uma série de convenções estabelecidas pelos “ciclos” mais famosos e influentes do gênero, como os giallo setentistas, os slashers dos anos 80 e os torture porn franceses da década passada. Talvez mais do que qualquer outro gênero ou rótulo cinematográfico, o horror se tornou refém de uma série de clichês estéticos e narrativos, e é neste âmbito que, como uma reação natural à saturação destes códigos, se situa o trabalho de cineastas como Robert Eggers, diretor de A Bruxa (2015) e Ari Aster, alçado à fama por seu primeiro longa-metragem, Hereditário (2017).

Após o sucesso de sua estreia, Aster se permitiu voos mais altos, como dispensar a clássica ambientação predominantemente noturna dos filmes do gênero para experimentar o horror à luz do dia. O resultado está em Midsommar - O Mal não espera a Noite (2019), no qual Dani (Florence Pugh), após vivenciar uma tragédia pessoal vai com o namorado Christian (Jack Reynor) e um grupo de amigos até uma remota vila na Suécia. O que começa como férias despreocupadas de verão toma um rumo sinistro quando os moradores do vilarejo convidam o grupo a participar de rituais pagãos.

Desde seu princípio, Midsommar se mostra como uma continuidade bastante natural da assinatura visual de Aster, cujo evidente rigor estético desenvolve uma interessante dinâmica de antecipação e administração de expectativas em relação à sucessão de elementos e situações apresentadas. A tensão, sem o artíficio da oclusão pela escuridão, se dá justamente pela relação com o que está extremamente visível, e ainda assim causa desconforto sem razão aparente. Tão fugaz quanto a noite no vilarejo de Harga, o mal em Midsommar se dá por vislumbres - ora travestidos de rituais macabros relativizados como mera expressão cultural, ora presente em interações aparentemente inofensivas com um subtexto manipulativo perverso.

Não é a toa que Aster é tão fascinado com a ideia de “representação” - a mímese do que seria o humano, o natural, é a porta de entrada para o mal na sua filmografia. Seus personagens frequentemente reproduzem ou projetam a artificilidade como sublimação, agindo como “bonecos”, corpos passivos de manipulação ou receptáculos de singificado que possuem uma relação de ironia dramática com a inércia, seja ela física ou psicológica.

Mesmo quando os ânimos dos personagens estão à flor da pele, o filme mantém um inabalável senso de ritmo, que transita entre o banal e o horror de maneira às vezes imperceptível. O chocante não se dá com o repentino, mas com o extendido. Aster pune o espectador por “ânsiar” pelo mal e a violência típicos de filmes de horror, explorando os momentos grotescos com uma câmera fria e tão inexoravelmente explícita que interrompe o transe provocado pelo ritmo lento e onírico da montagem. Há também uma eficiente correspondência sensorial entre os personagens e a câmera, que frequentemente transpõe as interioridades e pontos de vista para o plano objetivo do que se vê em quadro.

Entregue e intensa, Florence Pugh é o grande destaque do filme, e constroi sua personagem como alguém cuja sensibilidade a torna mais consciente do horror que a cerca, e por isso mesmo, é mais vulnerável a ele, sendo justamente o seu arco de emancipação sentimental, a chave para entender o discurso do filme. O caminho até o desfecho é relativamente previsível em sua estrutura, mas se torna interessante na medida em que culmina em uma experiência catártica dotada de ambiguidade e levanta questionamentos sobre a condição da personagem e seu estado de espírito frente aos acontecimentos, criando uma conclusão subjetiva que mostra o enorme potencial do horror como catarse e como cinema.

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